Análise do PER da Lisgráfica, uma SA cotada em Bolsa

Lisgrafica oldO interesse deste caso reside no facto de ser a única empresa cotada em bolsa a ter passado por um processo de revitalização PER sem que por isso tenha deixado de estar cotada.

(A empresa esteve perto da insolvência mas não chegou a ser declarada insolvente!)

 

Neste post, à data julho de 2015, analisamos o “after-match” do PER da empresa Lisgráfica SA, homologado no início de 2013, e tentamos perceber como sobreviveu.

 

 

É um trabalho académico e realizado sem a colaboração da empresa, e muito menos qualquer outra “inside information”.

 

Este trabalho de análise desta SA cotada divide-se em três partes:

 

1 – Análise financeira das contas (Excel)

Excel – Análise Financeira -SNC – Lisgrafica – V23

2 – Apresentação dos resultados

PowerPoint – Apresentação – Lisgrafica -2015-ISCAC-MC&FE-V06

3 – Avaliação teórica

Word Avaliação Lisgráfica – 2015

 

A empresa conseguiu aprovar um plano especial de revitalização, PER, e assim evitar a
sua declaração de insolvência. Apesar destas vicissitudes, conseguiu permanecer cotada na
bolsa de valores de Lisboa.

 

A parte mais interessante é perceber que o mercado de capitais é totalmente
pragmático. De facto, a Banca teve de perdoar 38 milhões de euros, e no ano seguinte à
homologação deste perdão concedeu novo empréstimo à empresa, agora para a aquisição de
maquinaria mais moderna.

Deste modo a empresa consegue adaptar-se à constante erosão das suas margens.

 

A história da empresa Lisgráfica

A Lisgráfica é uma sociedade aberta com um capital social integralmente realizado de 9.334.831 euros, representado por 186.696.620 ações com o valor nominal de 0,05 euros, que estão admitidas à negociação em Bolsa. A última admissão à cotação ocorreu em 26 de outubro de 2009 relativamente às ações emitidas no âmbito do processo de fusão com a empresa Heska Portuguesa SA e consequente aumento de capital.

 

Em 9 de maio de 2013, o Tribunal do Comércio de Lisboa proferiu o despacho de homologação do plano especial de revitalização, o PER da Lisgráfica, que tinha sido apresentado em finais de 2012, e que foi aprovado por 89,84% dos votos regularmente expressos. A mencionada sentença de homologação transitou em julgado em 3 de dezembro de 2013, e vincula todos os credores ao estabelecido no PER.

 

A aprovação do PER implicou um conjunto de alterações significativas nas demonstrações financeiras da empresa, quer a nível de resultados, quer a nível de capitais próprios e posição financeira.

 

Esta empresa possui presença no mercado há muitas décadas, antes mesmo da Revolução de 1974. Foi um peão na luta pela democracia, beneficiando sempre de apoios indiretos dos defensores da democracia em Portugal.   Presentemente é uma empresa a lutar pelo seu espaço vital numa economia global, sem ajudas estatais aparentes.

 

A Lisgráfica apenas possui 10% do seu capital disperso em Bolsa, depois de os investidores na IPO terem perdido 90% do seu capital, a empresa tem movimentos bolsistas entorpecidos e sem significado real. De facto, o “smart money” há muito deixou de estar presente nestas ações, apenas sobrevivem as transações entre os empedernidos investidores que não querem assumir as perdas e esperam por melhores dias.

 

A atual gestão da empresa é irrefutavelmente uma gestão resiliente, que tem tomado decisões para o bem e para o mal, e que decerto continuará a tomar este tipo de decisões com profundo impacto na rentabilidade da empresa.

 

Prova disso são o “plano Mateus” em 2005, a fusão com a HESKA, a apresentação de um PER, um perdão de 38 milhões de euros arrancado aos credores, culminando com a aquisição de uma nova máquina financiada em regime de leasing, que demonstra um renovado acesso ao mercado de capitais após o PER.

O valor desta empresa depende inteiramente da sua gestão e a gestão é algo que a análise financeira não consegue avaliar.

Moderna Lisbrafica

 

A informação usada está disponibilizada no site da empresa, na CMVM e na base de dados comercial SABI.

Os dados assim recolhidos são os que qualquer analista consegue obter a partir da informação disponível.

 

João PM de Oliveira

Estratégias na R€-estruturação de Passivos

 

NOTA:

O trabalho foi realizado pelo editor deste blog durante a frequência de um mestrado em Contabilidade e Fiscalidade realizado na Coimbra Business School em 2015, na cadeira de Análise Financeira, tendo merecido 19 valores.

 

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