JUBILEU

O Evangelista São Lucas narra numa passagem que Jesus vai a uma sinagoga no dia de sábado e proclama um trecho do livro do profeta Isaías:

 

O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso ele me ungiu e me mandou anunciar aos pobres uma mensagem, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para colocar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor (Lc 4, 18-20).

Jubileu

A palavra jubileu vem do hebraico yovel. Refere-se ao carneiro, cujo chifre foi usado para anunciar o ano festivo. Há estudiosos que oferecem mais uma explicação. Supõe-se que yovel vem do verbo hebraico trazer de volta, pois os escravos voltavam ao seu estado anterior de liberdade, não sendo mais servos de homens e sim apenas do Criador; e os terrenos também voltavam aos proprietários originais.

Além da contagem do ano de shemitá, de sete em sete anos, existe a contagem do yovel – o jubileu, que ocorre a cada cinquenta anos, no ano seguinte ao término de sete anos sabáticos.

Na época do Templo Sagrado isto era exatamente o que acontecia a cada 50 anos. O Yovel caraterizava-se por três obrigações, que recaíam sobre a nação inteira:

  1. Abstenção de qualquer trabalho agrícola, exatamente como em Shemitá;
  2. Liberdade incondicional para todo escravo hebreu;
  3. A devolução de todos os campos aos seus proprietários originais.

No Yovel, os escravos judeus são libertados. A cada ano de Yovel, em Yom Kipur, o San’hedrin (Tribunal Superior) tocava o shofar. A seguir os judeus em Israel tocavam o shofar. O som podia ser ouvido em Israel inteira, anunciando: Chegou a hora de libertar todos os escravos judeus. Todos os que possuem escravos judeus devem libertá-los e enviá-los à suas casas.

Não importava se o escravo recém começara a servir seu senhor, ou se já havia trabalhado seis anos, todo escravo judeu tinha de ser enviado de volta ao seu lugar de origem. O toque do shofar era um lembrete para ouvir e observar esta mitsvá.

Depois de possuir um escravo por um longo período, o amo deve achar difícil mandá-lo embora; assim como o escravo pode ficar relutante em deixar seu amo. De Rosh Hashaná até Yom Kipur do ano de Yovel, um escravo não retorna à sua casa; nem o seu amo pode empregá-lo. Em vez disso, senta-se à mesa do seu amo, come, bebe e relaxa. Quando o shofar é tocado em Yom kipur, ele finalmente parte. Este período de dez dias de transição ajuda-o a readaptar-se à liberdade. Deus disse: Quando tirei o povo judeu do Egito, tornaram-se Meus escravos. Por isto, nenhum judeu poderá servir a outro por toda a vida, somente Eu posso exigir tal submissão.

Como podemos observar na tradição judaica, o Jubileu está alicerçado na Torá. Fala-se dele no livro do Êxodo (23, 10-11), no Levítico (25, 1-28), no Deuteronômio (15, 1-6).

Cada sete anos era celebrado o ano sabático (como anteriormente comentávamos), no qual se deviam perdoar todas as dívidas. E cada 50 anos se celebrava o Jubileu.

Santificareis o quinquagésimo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano será para vós Jubileu: cada um de vós voltará à sua propriedade e à sua família (Lv 25, 10).

O tempo de Jubileu era um tempo de Paz e Reconciliação, um tempo de festa e perdão. Um tempo de Graça Divina.

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Autor Biblico

São Lucas citando Jesus

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